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No bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco

 Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, por Maria Ferreira

Nasceu a 16 de março de 1825, em Lisboa, e faleceu a 1 de junho de 1890, em S. Miguel de Seide, Famalicão. Ficou órfão de mãe aos dois anos e de pai aos nove. A orfandade levou-o a viver em Vila Real com uma tia paterna, D. Rita Emília da Veiga Castelo Branco. Aos dezasseis anos, casou-se com Joaquina Pereira de França, em S. Salvador e instalou-se em Friúme, Ribeira de Pena.

Em 1844, radicou-se no Porto com o propósito de estudar Medicina, curso que não chega a concluir. De 1849 a 1851 consolida a sua atividade jornalística, retoma o seu interesse pelo teatro e estreia-se no romance com a publicação de " Anátema" (1851). O seu nome tornara-se sonante nos meios jornalísticos e literários do Porto e de Lisboa. Todavia, considera-se que terá sido a partir de 1856 o ano em que atingiu a maturidade literária com a publicação da Obra: " Onde está a felicidade? ".

Crê-se que terá sido por esta altura que terá encetado o relacionamento amoroso com Ana Augusta Vieira Plácido, casada desde 1850 com Manuel Pinheiro Alves, um" negociante brasileiro ", cuja figura lhe serve de inspiração para muitos dos seus romances.

Tal veleidade deu origem a um processo de adultério movido por Manuel Pinheiro Alves, em 1860. As consequências foram implacáveis, pois em junho prenderam Ana Plácido e, a 1 de outubro, Camilo entregou-se na Cadeia da Relação, no Porto. Terá sido na Cadeia da Relação que conheceu e travou amizade com o famoso salteador Zé do Telhado. Este curioso encontro tê-lo- á influenciado a escrever a Obra: " Memórias do Cárcere". Atualmente, aquela que outrora fora a Cadeia da Relação, localizada na Cordoaria, está transfigurada no Museu da Fotografia. Para o perdão terá contribuído o Dr. José Maria Teixeira de Queirós, Conselheiro do Tribunal, e pai do insigne escritor Eça de Queirós. Mercê da sua intervenção, os réus foram absolvidos a 16 de outubro desse ano.

Do relacionamento com Ana Plácido nasceram dois filhos, Nuno e Jorge. Acresce referir a existência de um filho mais velho, Manuel Plácido, cuja paternidade é legalmente atribuída a Manuel Pinheiro Alves.  Não obstante, suspeita-se que o seu verdadeiro progenitor fosse Camilo. Esta vasta prole que urgia sustentar, levou-o a escrever a um ritmo alucinante, porquanto os problemas financeiros a tal o obrigavam para poder subsistir. A insanidade do seu filho Jorge, aliada à doença que o minava e conduziu à cegueira, retumbaram num destino fatal, o suicídio. A casa de S. Miguel de Seide, onde residiu, está, hoje, convertida num museu dedicado ao escritor. Nas proximidades, foi inaugurado a 1 de junho de 2005, o Centro de Estudos Camilianos.




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